Sobre o amor

O amor fere mais que nunca

[Carta Capital]      .

.         Nosso relacionamento com os relacionamentos hoje é tão caótico que afeta todas as partes de nossa psique. A dor do amor não é mais contida no coração, e um exército crescente de psicólogos e sociólogos advertem que o amor está em situação perigosa. O casamento moderno foi chamado de “tóxico”, a mudança de papéis entre os gêneros é acusada pelo aumento nos divórcios e o enfoque cada vez maior para a aparência está destruindo a ideia de uma alma gêmea em favor de um parceiro sexual.

    (…) nossa cultura capitalista consumista mudou a face de nossos relacionamentos, tornando-os irreconhecíveis. A crescente opção de namoros na Internet encorajou as pessoas a agir como “compradoras” — exigindo, comparando alternativas, constantemente tentando conseguir um negócio melhor e matando o instinto visceral e o acaso que sempre ajudaram os seres humanos a encontrar um(a) parceiro(a). Os homens adquiriram fobia a compromissos porque a ascensão do capitalismo os incentivou a ser autônomos e egocêntricos. (…)

Pra onde a obsessão por peitos e bundas está nos levando

[Casal sem vergonha]

          (…) Somos como crianças que, até tempos atrás não podíamos roubar o brigadeiro da mesa e que, momentos depois, somos presenteados com todos os tipos e sabores de brigadeiro do mundo. Comemos tanto, que ficamos com dor de barriga. Temos tantas opções, e não temos ideia do que fazer com elas. E aí nos direcionados pela embalagem – a mais bonita, a mais colorida, a mais chamativa.

.          Talvez precisemos mesmo aprender na marra a lidar com tanta liberdade, e parar de levar a vida como o adolescente que tem pais liberais, e que abusa dessa mordomia para sair causando. Somos seres inteligentes e não podemos mais desperdiçar a oportunidade de fazer boas escolhas. A liberdade que a nossa geração possui hoje permite que possamos conhecer diversas pessoas e escolher aquela que se encaixa com você. Porque, por mais que você se gabe de ser o pegador que come todas, o desejo de todo ser humano é encontrar e ser encontrado. (…) Se não fizermos algo a respeito, já consigo imaginar um futuro no qual as próximas gerações, traumatizadas pelos excessos, irão querer voltar aos moldes antigos e implorar pela chance de uma tarde namorando no sofá, com mãos dadas, debaixo dos olhos do sogro. Tudo para evitar que os prazeres da luxúria e da superficialidade falem mais alto e estraguem tudo. Mais uma vez.

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A história das coisas

Sei que muita gente já conhece, mas pra quem ainda não viu, é “leitura obrigatória”:

Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=jNpMRHgfqI8&
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=7q_QhB3HQ70&

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How often do you find the right person?

Esta é minha música preferida do filme irlandês Once. Chama-se The Hill.

Não encontrei o vídeo com a cena – a versão que toca lá é bem mais bonita e o contexto deixa tudo um pouco mais breathtaking.

(Uma salva de palmas para o slogan, título deste post)

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Não só de Édith Piaf vive a música francesa

Em ordem aleatória, um pouco do que ouvi nas rádios francesas em 2011:

(Para baixar, dê um clique direito no link “Download” e escolha “Salvar link como”)

1. TLF-corneille – Le meilleur du monde  Clipe | Download

2.  A nos actes manqués Clipe | Download

3. Mika – Elle me dit Clipe | Download

4. Keen’v-sap – J’aimerais trop Clipe | Download

5. Strolae – Alors on danse Clipe | Download

6. Shy’m – Tourne Clipe | Download

7. Inna Modja – French cancan Clipe | Download

8. Claire Keim – Ça Dépend Clipe | Download

9. Gary Fico – Il est le même que moi Clipe | Download

10. Melissa NKonda – Nouveaux horizons Clipe | Download

11. Joyce Jonathan – Prends ton temps Clipe | Download

12. Joyce Jonathan – Tant pis Clipe | Download

13. Joyce Jonathan – L’heure avait sonné Clipe | Download

14. Judith – Te passe pas de moi  Clipe | Download

15. Melissa NKonda – J’Ai Fait Tout Ca Pour Vous Clipe | Download

16. Julien Loko – Encore Clipe | Download

17. Colonel Reyel – Celui Clipe | Download

18. Magic System Soprano – Cherie coco Clipe | Download

19. Colonel Reyel –  Aurélie  Clipe | Download

20. Corneille – Le jour après la fin du monde  Clipe | Download

21. Simple Plan – Jet Lag ft. Marie-Mai Clipe | Download

22. Elisa Tovati & Tom Dice – Il nous faut  Clipe | Download

23. Jenifer – L’envers du paradis  Clipe | Download

23. Mossimann – Luna  all alone  Clipe | Download

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PARTE 2: Música francesa atual

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Como viajar pela França gastando pouco

Este post não tem mérito meu, porque todo o conteúdo abaixo eu recebi de meninas da comunidade “Au pair na França” (vivíssima no Orkut!), que, apesar de não se conhecerem, não poupam esforços para ajudar as novatas cheias de dúvidas. Voilà:

¤ http://www.covoiturage.fr: Para caronas com data e preço determinados. Divide-se o combustível e costuma sair bem mais barato que viajar de trem.

¤ http://www.kelbillet.com/train e http://www.trocdestrains.com: Esses sites têm o cadastro de pessoas que compraram bilhetes de trem, desistiram da viagem e os vendem por preços menores.

¤ http://francais.interrailnet.com/enfr: Para comprar pacotes de acordo com a região para onde você vai.

¤ http://www.voyages-sncf.com: E’ o site para comprar passagens de trem; tem promoções com frequência.

¤ http://www.ryanair.com/pt e http://www.easyjet.com: Companhias de baixo custo para bilhetes de avião. Tem voos a partir de 8 euros.

¤ http://www.couchsurfing.org: Para hospedar-se na casa de alguém sem pagar nada por isso. (O melhor é que, depois da primeira utilização, você descobre que a maior vantagem não é a economia, mas o contato com as pessoas)

Conhece mais algum serviço interessante? Compartilhe com a gente!

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Por que correr atrás (ou fugir) da vida de au pair

Ninguém decide ser au pair por amor a crianças, mas é uma opção interessante quando o objetivo é aprender uma língua estrangeira em um ambiente de total imersão e poucos gastos.

Por algumas razões, acho que esse é um pressuposto importante para as meninas (ou meninos!) que aderem ao programa. Primeiro, porque discordo que gostar de crianças seja condição para levar uma vida tranquila como au pair. Ser paciente, sim, me parece um requisito indispensável. Ainda que a gente a-do-re crianças (e afirme com muita convicção nas cartinhas enviadas pras famílias), morar com elas muda a situação. Pensando pelo lado da criança, é compreensível: como entender que a nova moradora da sua casa, que te chama pra brincar, dançar e colorir, pode, no momento seguinte, ser o monstro a mesma pessoa que vai te obrigar a tomar banho ou fazer a lição? Controlar a medida entre ser amiguinho e/ou ser uma nova autoridade dentro de casa não é tarefa fácil para a au pair e não constitui regra clara para a criança.

Outra razão por que eu acho importante manter em mente que se trata apenas de um pretexto para um objetivo maior é que, depois de um tempo, fica difícil (ou ficou, pra mim) não considerar que seja um período de desperdício de inteligência. Mesmo indo a cursos, estudando, aprofundando o conhecimento da língua, viajando, conhecendo coisas e pessoas novas, as horas passadas com as crianças parecem tempo perdido. Ou um tempo de espera, como eu resolvi chamá-lo; aquele período sobre o qual existem mil metáforas mostrando que, do lado de lá dessa fase de motivos para reclamar dificuldades, há algo melhor.

Entre as várias possibilidades de morar fora do Brasil, talvez essa seja uma das mais baratas, confortáveis e seguras. Entre desvantagens e vantagens, pontos negativos e positivos da vida de au pair (baseada na minha experiência no sul da França), eu diria o seguinte:

SE JOGA!

Crianças podem ser ótimos professores do idioma deles. Não têm vergonha e não hesitarão em corrigir (às vezes de pirraça, mas a gente sorri e agradece por ter aprendido algo novo). Morar com uma família nativa também significa viver com um nível de conforto bem maior do que se teria alugando um quarto de residência estudantil república, por exemplo. Meu caso: casa confortável, carro pra mim, geladeira sempre cheia. Posso viajar todos os finais de semana, não cozinho, não limpo nada, não tiro o lixo, não pago contas, não vou ao supermercado. Posso usar a piscina quando quiser. Não trabalho terças nem sextas e não ganho menos por isso. Posso levantar quando quero porque só busco as crianças na escola às 17. Com o dinheiro que ganho, consigo viajar TODOS os finais de semana (Leia: Como viajar gastando pouco). Se eu amo ser au pair? Não. Não tenho deslumbramentos de “cara, tô na França”, não acho que estar na Europa é mais cool que estar no Brasil, nem acho que levaria essa vida por muito tempo. Se eu acho que alguma outra experiência internacional seria mais enriquecedora para mim que essa? Não.
PULA FORA!

Certamente existem razões mais complexas pelas quais alguém deveria desistir de ser au pair, mas vou mencionar apenas as que vivencio, nada grave, mas coisas com que é preciso saber lidar. Primeiro: se não tem paciência com crianças e não quer ser uma vitima de distimia, não venha. É preciso estar apto a respirar fundo e ignorar quando um rapaz de 8 anos te diz coisas do tipo “esse quarto não é seu; é da minha avó que morreu”. Também é preciso ter paciência para lidar com a forma com que os pais levam com a barriga a educação dos filhos. Se acham legal rir quando os pequenos dizem palavrões, que assim seja (na presença deles, claro). E’ importante perguntar se o quarto tem acesso à internet, ou você vai cair na tentação de deixá-los em frente a TV enquanto fica ao lado com o computador no colo. Outra coisa: morando na mesma casa, é difícil saber até que horas você trabalha, em que momento você pode se fechar no seu quarto ou ignorar as crianças gritando no quarto ao lado. São coisas sobre as quais não pensei antes de vir, mas que precisam ser esclarecidas com antecedência.

Quando falo sobre coisas que vivo aqui com a família, amigas diferentes reagem à mesma história dizendo “você deu muita sorte” ou “coitada de você”. Se para algumas pessoas o esforço pode parecer maior que a recompensa, para mim a decisão de vir para a França como au pair foi a melhor que eu poderia ter tomado. Mas julgamento é coisa muito pessoal: a cada um de pensar sobre a vida de au pair e escolher se foge ou se corre atrás.

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Lendo… [2]

[Nível de irrelevância: 3]
[A desculpa: Faz mais de um ano que leio esse livro, sempre aos pouquinhos e sem querer acabar… Não pode ser tão irrelevante assim]

É que por enquanto a metamorfose de mim em mim mesma não faz nenhum sentido. É uma metamorfose em que perco tudo o que eu tinha, e o que eu tinha era eu – só tenho o que sou. E agora o que sou? Sou: estar de pé diante de um susto. Sou: o que vi. Não entendo e tenho medo de entender, o material do mundo me assusta, com os seus planetas e baratas.
.
Mas que abismo entre a palavra e o que ela tentava, que abismo entre a palavra amor e o amor que não tem sequer sentido humano – porque – porque amor é a matéria viva. Amor é a matéria viva?
.
“Estou pedindo socorro”, gritei-me então de repente com a mudez dos que têm gradualmente a boca entulhada pelas areias movediças, “estou pedindo socorro”, pensei quieta e sentada.
.
Mas eu quero muito mais que isto: quero encontrar a redenção no hoje, no já, na realidade que está sendo, e não na promessa, quero encontrar a alegria neste instante
.
Só que não estava suportando ficar apenas sentada e sendo, e então queria fazer. Fazer seria transcender, transcender é uma saída.
.
Seria simplório pensar que o problema moral em relação aos outros consiste em agir como se deveria agir, e o problema moral consigo mesmo é conseguir sentir o que se deveria sentir?

[Clarice Lispector. A paixão segundo G.H.]

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